6.4 Coesão Sequencial

 6.4   Coesão sequencial

No item anterior, intitulado COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAL, dissemos que a coerência textual “diz respeito à continuidade de sentido, ou seja, existe coerência quando as ideias estão logicamente ligadas e não se dispersam”. Para haver esta ligação entre as ideias – dissemos também – precisamos usar “mecanismos de coesão textual” e então tratamos da coesão referencial através de tais mecanismos. Neste trabalho, veremos como se realiza a coesão sequencial, que é o modo ao qual os usuários de uma língua, falantes e redatores, têm de dar sequência ao discurso e fazer como que um texto coerentemente progrida de uma ideia a outra. 

Este tipo de coesão é muito importante, inclusive, para o desenvolvimento do raciocínio porque é, no mais das vezes, através dele que estabelecemos a relação entre as ideias, tornando-as semelhantes ou contrárias, condicionais ou alternativas etc. Assim, ao aprender a usar bem os “mecanismos de coesão sequencial” (entre frases e ideias) estamos de certa forma otimizando a capacidade de raciocinar e de expressar com exatidão aquilo queremos dizer. É principalmente através das conjunções que fazemos a conexão entre as frases dando assim sequência às ideias e coerência aos textos.

Othon M. Garcia [1]exemplifica bem tal importância dos conectivos no que diz respeito à progressão do discurso e à relação entre ideias:

Joaquim costuma vir ao Rio

 

QUANDO

ENQUANTO

PORQUE

SE

EMBORA

 

Ganha muito dinheiro em São Paulo.

 

            Essa forma de coesão designa os vários tipos de interdependência semântica existente entre as frases na superfície textual. Essas relações são expressas pelos conectores ou operadores discursivos. É necessário, portanto, usar o conector adequado à relação entre ideias que queremos expressar para que as informações tenham progressão.  O conector estabelecerá uma relação precisa entre duas ou mais ideias.

Para estudar os mecanismos de coesão sequencial usaremos como exemplo o texto de L. Boff.

 

O impossível pacto entre o lobo e o cordeiro

Post Festum, podemos dizer: o documento final da Rio+20 apresenta um cardápio generoso de sugestões e de propostas, sem nenhuma obrigatoriedade, com uma dose de boa vontade comovedora, mas com uma ingenuidade analítica espantosa, diria até, lastimável. Não é uma bússola que aponta para o “futuro que queremos”, mas para a direção de um abismo. Tal resultado pífio se tributa à crença quase religiosa de que a solução da atual crise sistêmica se encontra no veneno que a produziu: na economia.

Não se trata da economia num sentido transcendental, como aquela instância/…/ que garante as bases materiais da vida. Mas da economia categorial, aquela realmente existente que, nos últimos tempos, deu um golpe a todas as demais instâncias (à política, à cultura e à ética) e se instalou, soberana, como o único motor que faz andar a sociedade. É a “Grande Transformação” que já em 1944 o economista húngaro-norteamericano Karl Polanyi denunciava vigorosamente. Este tipo de economia cobre todos os espaços da vida, se propõe acumular riqueza a mais não poder, tirando de todos os ecossistemas, até à sua exaustão, tudo o que seja comercializável e consumível, se regendo pela mais feroz competição. Esta lógica desequilibrou todas as relações para com a Terra e entre os seres humanos.

Face a este caos Ban Ki Moon, Secretário Geral da ONU, não se cansa de repetir na abertura das Conferências: estamos diante das últimas chances que temos de nos salvar. Enfaticamente em 2011, em Davos, diante dos “senhores do dinheiro e da guerra econômica”declarou: ”O atual modelo econômico mundial é um pacto de suicídio global”. Albert Jacquard, conhecido geneticista francês, intitulou assim um de seus últimos livros: “A contagem regressiva já começou?”(2009).

Os que decidem não dão a mínima atenção aos alertas da comunidade científica mundial. Nunca se viu tamanha descolagem entre ciência e política e também entre ética e economia como atualmente. Isso me reporta ao comentário cínico de Napoleão depois da batalha de Eylau ao ver milhares de soldados mortos sobre a neve: “Uma noite de Paris compensará tudo isso”. Eles continuam recitando o credo: um pouco mais do mesmo, de economia  e já sairemos da crise. É possível o pacto entre o cordeiro(ecologia) e o lobo(economia)? Tudo indica que é impossível, pois o lobo sempre devorará o cordeiro.

Podem agregar quantos adjetivos quiserem a este tipo vigente de economia, sustentável, verde e outros, que não lhe mudarão a natureza. Imaginam que limar os dentes do lobo lhe tira a ferocidade, quando esta reside não nos dentes, mas em sua natureza. A natureza desta economia é querer  crescer sempre, a despeito  da devastação do  sistema-natureza e do sistema-vida. Não crescer é prescrever a própria morte. Ocorre que a Terra não aquenta mais esse assalto sistemático a seus bens e serviços. Acresce a isso a injustiça social, tão grave quanto a injustiça ecológica. Um rico médio consome 16 vezes mais que um pobre médio. Um africano tem trinta anos a menos de expectativa de vida que um europeu (Jaquard, 28).

Face a tais crimes como não se indignar e não exigir uma mudança de rumo?  A  Carta da Terra nos oferece uma direção segura: “Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Isto requer uma mudança na mente e no coração; requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal…para alcançarmos um modo sustentável de vida nos níveis local, nacional, regional e global”(final). Mudar a mente implica um novo olhar sobre a Terra não como o “mundo-máquina”, mas como  um organismo vivo, a Terra-mãe a quem cabe respeito e cuidado.

Mudar o coração significa superar a ditadura da razão técnico-científica e resgatar a razão sensível onde reside o sentimento profundo, a paixão pela mudança e o amor e o respeito a tudo o que existe e vive. No lugar da concorrência, viver a interdependência global, outro nome para a cooperação e no lugar da indiferença, a responsabilidade universal, quer dizer,  decidir enfrentar juntos o risco global.

Valem as palavras do Nazareno:”Se não vos converterdes, todos perecereis”(Lc 13,5). Boff, Leonardo.In: http://leonardoboff.wordpress.com/2012/07/09/o-impossivel-pacto-entre-o-lobo-e-o-cordeiro/  (Acessado em 28/10 2012)

 

Exercício.  Interpretação de Textos.

Para melhor interpretar o texto , convém o leitor tomar ciência do que foi a Rio + 20 e a Carta da Terra.

1)                 No texto acima, notamos que o autor recusa, inicialmente, uma tese resultante da Rio + 20 porque acredita em outra. Qual é a tese à qual ele se opõe?

2)                 Quais os argumentos contra tal tese?

3)                 Quais os argumentos que ele usa a favor de sua tese?

4)                 Faça um resumo do texto. (tese contrária + argumentos + tese do autor).

 

 

 

 

 

 

 

6.4.1 O que é Coesão sequencial ?

Coesão sequencial é o modo ao qual os usuários de uma língua, falantes  e redatores, têm de dar sequência ao discurso, isto é, fazer como que um texto coerentemente progrida de uma ideia a outra.  O tipo de relação que o autor de um texto quer  estabelecer  entre  duas ideias ou mais se deve, quase sempre, às conjunções que ele usa: 

“Aristóteles ingressa na Academia, mas em vez de partir da matemática como método de conhecimento tal qual ali acontecia, irá partir da biologia, ou seja, em vez de partir de tipo de estudo voltado para a lógica mental, dará preferência a um espírito de observação  da realidade e de índole classificatória, um naturalismo” (Chauí, Os pensadores, 67);

Note que o mas é um mecanismo de coesão que dá sequência às ideias estabelecendo uma oposição entre o método usado na Academia e o que será usado por Aristóteles. Note que ou seja é um mecanismo de recorrência que estabelece uma equivalência entre as ideias:

 matemática     está para      lógica mental;    biologia        está para   observação e classificação.

 

 

Conclusões: 1)  a coesão sequencial , através de conjunções , faz com que as ideias formem diferentes tipos de relações.  Por exemplo: podemos tornar duas ideias semelhantes ou contrárias, condicionais, ou alternativas, consequentes  etc.  e daí tiramos conclusões; b) a coesão sequencial é importante para expressar com exatidão aquilo quer queremos dizer, cooperando assim com a otimização de nossa capacidade de raciocinar .

6.4.2 Mecanismos de Coesão Sequencial

            Platão & Savioli (1996) consideram como mecanismo de coesão todas as palavras ou expressões que servem para estabelecer relações entre segmentos de discurso tais como: então, dessa forma, isto é, embora, portanto,  mas, daí,  já que, com efeito, porque, ora e tantas outras.

Temos, portanto, que conhecer o valor preciso de cada um destes mecanismos de coesão para que possamos estabelecer, da mesma forma, uma relação precisa entre as ideias que, ao redigir ou falar, queremos ligar.  Através de tais conectivos fixamos diferentes relações semânticas entre as ideias, que podem ser de: finalidade, causa, conclusão, contradição, condição etc.

 Vejamos alguns casos:

a) O porém, por exemplo, presta-se para manifestar uma relação de oposição:  usado entre dois enunciados ou entre dois elementos do texto, manifesta que um contraria o outro.  Observe-se o exemplo que segue:

Israel possui um solo árido e pouco apropriado à agricultura, porém, chega a exportar certos produtos agrícolas.

No caso, faz sentido o uso do porém, já que entre as duas frases há ideias contraditórias. Não teria sentido trocar o porém  por um porque , pois a exportação de produtos agrícolas não pode ser vista como a causa de Israel da aridez do solo israelense. Daí que a aplicação do porém ( poderia se também:  todavia, no entanto, contudo, entretanto) é precisa e necessária e se usássemos um porque ou um consequentemente estaríamos “perturbando” a coesão e  dificultando o entendimento do texto.

 

b) embora, ainda que, mesmo que: são conectivos que estabelecem uma relação de concessão, isto é, admite-se que uma ideia ou  fato possam ser verdadeiros ou válidos, mas mesmo assim faz-se oposição ao mesmo. Tais mecanismos de coesão são bastante usados nas argumentações para informarmos ao interlocutor com que estamos debatendo que entendemos sim o que ele disse e até admitimos certa dose de razão em suas palavras,  porém, mesmo assim mantemos a nossa discordância em relação ao que ele disse e mantemos um ponto de vista contrário.Ex.:

Embora você tenha uma interpretação razoável sobre o caso, não creio que sairá vencedor em tal processo.

Mesmo que você vá de avião, não chegará a tempo para assistir o concerto.

 

Ainda que a ciência e a técnica tenham presenteado o homem com abrigos confortáveis, pés velozes como o raio, olhos de longo alcance e asas para voar, não resolveram o problema das injustiças.

 

c) assim, desse modo:  embora sejam expressões com muitos usos, nas argumentações servem principalmente para introduzir um exemplo ou complemento a algo antes afirmado. Se dissermos algo e, a partir disso, queremos exemplificar, confirmar, concluir, explicar ou especificar o que foi dito, então podemos usar tais conectivos para iniciar a complementação do que foi afirmado.

 

O governador resolveu não se comprometer com nenhuma das facções em disputa pela liderança do partido.  Assim, ele ficará à vontade para negociar com qualquer uma que venha a vencer.

 

 

d) e: enuncia o prosseguimento do discurso e não a repetição do que foi dito antes;  com o e indica-se a adição de uma ideia a outra .  Se não acrescentar nada, constitui pura repetição e deve ser evitada. Ao dizer:

Esse trator serve para arar a terra e para fazer colheita. 

Estamos usando o de maneira correta, pois estamos acrescentando uma nova função ao trator.  Todavia, ao dizer: tudo permanece como está e nada muda,  o segmento introduzido pelo e  não adiciona nenhuma informação nova.  Trata-se, portanto, de um segmento inadequado.

 

e) ainda: serve, entre outras coisas, para introduzir mais um argumento a favor de determinada conclusão, ou para incluir um elemento a mais dentro de um conjunto qualquer.

O nível de vida dos brasileiros é baixo porque os salários são pequenos.  Convém lembrar ainda que os serviços públicos são extremamente deficientes.

 

f) alias, além do mais, além de tudo, além disso: introduzem um argumento decisivo, apresentado como acréscimo, como se fosse desnecessário, juntamente para dar o golpe final no argumento contrário.

Muitas crianças em nosso país sofrem com os maus tratos da família. Além de tudo, são obrigados a conviver com a indiferença da sociedade.

 

g) isto é, quer dizer, em outras palavras: introduzem esclarecimento, retificações ou desenvolvimento do que foi dito anteriormente.

Muitos jornais fazem alarde de sua neutralidade em relação aos fatos, isto é, de seu não comprometimento com nenhuma das forças em ação no interior da sociedade.

 

h) mas, porém, contudo, e outros conectivos adversativos: marcam oposição entre dois segmentos de texto.  Não se podem ligar, com esses relatores,  segmentos que não se opõem. Às vezes, a oposição se faz entre significados implícitos no texto.

Choveu na semana passada, mas não foi suficiente para se começar o plantio.

 

i) Certos elementos de coesão servem para estabelecer gradação entre os componentes de uma certa escala.  Alguns, como mesmo, até, até mesmo, situam alguma coisa no topo da escala; outros, como ao menos, pelo menos, no mínimo, situam-se no plano mais baixo.

O homem é ambicioso. Quer ser dono de bens materiais, da ciência, do próprio semelhante, até mesmo do futuro e da morte ou  É preciso garantir ao homem seu bem-estar: o lazer, a cultura, a liberdade, ou, no mínimo, a moradia, o alimento e a saúde.

6.4.3 Exercícios de Coesão sequencial

 

Exercício 1. Estabeleça uma relaçãoas ideias, conforme o que estabelecido entre parênteses.  Use as conjunções.

Fui ao Chile …. conheci várias estações de esqui. (adição)

Fui ao Chile……  desejo aprender a esquiar. (causalidade)

Fui ao Chile………..  aprender a esquiar. (finalidade)

Fui ao Chile …….não conheci as estações de esqui. (oposição)

Irei ao Chile …….. puder tirar férias em julho. (condicionalidade)

Irei ao Chile……… as crianças chegarem de Portugal.  (temporalidade)

7.         Estarei no Chile nas próximas férias,…… poderei esquiar. (conclusão)

8. Não sei se vou ao Chile nas férias de julho……. se estudo para o Vestibular. (alternativa)

 

Exercício 2 Para cada grupo de frases, deverão ser propostas duas alternativas de ligação das sentenças. Use os mecanismos de coesão e elimine repetições .

 1) – Um dos principais problemas do Brasil continua sendo a educação. O Brasil só se tornará uma nação desenvolvida economicamente se investir em educação. Os governantes têm priorizado o combate à inflação.

 

2)  – Existem várias alternativas para tentar resolver o problema da pichação. Algumas pessoas acreditam que a melhor solução para resolver o problema da pichação seria a criação de área de pichação zero e outras próprias para a realização de desenhos. – Atitudes violentas para reprimir a prática da pichação têm se mostrado ineficientes.

3)- A linha amarela já faz parte do itinerário de pelo menos uma linha de ônibus, a 292 da Viação Estrela Azul.  – A linha amarela só agora foi aberta oficialmente ao tráfego de ônibus.  – Desde a abertura do primeiro trecho da linha amarela, a linha 292 da viação Estrela Azul utiliza o acesso da Estrada Velha da Pavuna.

 

Exercício 3. Os períodos a seguir apresentam problemas de coesão decorrentes do uso de um conectivo inadequado.  Substitua-os   por conectivos adequados.

1) Em São Paulo, já não chove há mais de dois meses, apesar de que já se pense em racionamento de água e energia elétrica.

 2) As pessoas caminham pelas ruas, despreocupadas, como se não existisse perigo algum, mas o policial continua folgadamente tomando o seu café no bar.

 3) Talvez seja adiado o jogo entre Botafogo e Flamengo, pois o estado do gramado do Maracanã não é dos piores.

 4) Uma boa parte das crianças mora muito longe, vai à escola com fome, onde ocorre o grande número de desistências.

 

 

 

Bibliografia:

COSTA VAL. M. G. Redação e textualidade. São Paulo: Ática. 1991

FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Lições de Texto: Leitura e redação. São Paulo: Ática. 1996.

KOCH, I. G. V. A coesão textual. São Paulo: Contexto. 1992.

KOCH, I. V. &  TRAVAGLIA, L. C. A coerência textual. São Paulo: Contexto. 1995.

 

 

 

 

 

 

a) Adendo. Questões Gramaticais.  Elementos de Coesão Textual

Pronomes

Além dos conectivos, os pronomes são fundamentais para fazermos referência, mas devemos seguir regras gramaticais ao colocá-los. A maior dificuldade está na colocação dos pronomes oblíquos.  Portanto, em caso de dúvida consulte esta tabela.

 

 COLOCAÇÃO DOS PRONOMES ÁTONOS

 

Os gramáticos sugerem que haj  uma ordem de prioridade quanto à colocação pronominal: 1º a próclise, depois mesóclise e em último caso ênclise.  Isto porque as mensagens ficam mais claras e o emissor parecerá menos pedante ao usar os pronomes.

 

Próclise:  É a colocação pronominal antes do verbo.A próclise é usada:

 

1) Quando o verbo estiver precedido de palavras que atraem o pronome para antes do verbo. São elas:

a) Palavra de sentido negativo: não, nunca, ninguém, jamais, etc.Ex.: Não se esqueça de mim.

b) Advérbios. Ex.: Agora se negam a depor.

c) Conjunções subordinativas. Ex.: Soube que me negariam.

d) Pronomes relativos. Ex.: Identificaram duas pessoas que se encontravam desaparecidas.

e) Pronomes indefinidos. Ex.: Poucos te deram a oportunidade.

f) Pronomes demonstrativos. Ex.: Disso me acusaram, mas sem provas.

2) Orações iniciadas por palavras interrogativas. Ex.: Quem te fez a encomenda?

3) Orações iniciadas por palavras exclamativas. Ex.: Quanto se ofendem por nada!

4) Orações que exprimem desejo (orações optativas). Ex.: Que Deus o ajude!

 

 

Mesóclise: É a colocação pronominal no meio do verbo.A mesóclise é usada:

1) Quando o verbo estiver no futuro do presente ou futuro do pretérito, contanto que esses verbos não estejam precedidos de palavras que exijam a próclise.

Ex.: Realizar-se-á, na próxima semana, um grande evento em prol da paz no mundo.

Não fosse os meus compromissos, acompanhar-te-ia nessa viagem.

 

Ênclise: É a colocação pronominal depois do verbo.A ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise não forem possíveis:

1) Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo. Ex.: Quando eu avisar, silenciem-se todos.

2) Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal. Ex.: Não era minha intenção machucar-te.

3) Quando o verbo iniciar a oração. Ex.: Vou-me embora agora mesmo.

4) Quando houver pausa antes do verbo. Ex.: Se eu ganho na loteria, mudo-me hoje mesmo.

5- Quando o verbo estiver no gerúndio. Ex.: Recusou a proposta fazendo-se de desentendida.

 

O pronome poderá vir proclítico quando o infinitivo estiver precedido de preposição ou palavra atrativa.

Ex.: É preciso encontrar um meio de não o magoar./ É preciso encontrar um meio de não magoá-lo.

 

Colocação pronominal nas locuções verbais

1) Quando o verbo principal for constituído por um particípio

 

a) O pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar. Ex.: Haviam-me convidado para a festa.

 

b) Se, antes do locução verbal, houver palavra atrativa, o pronome oblíquo ficará antes do verbo auxiliar. Ex.: Não me haviam convidado para a festa.

 

 

Se o verbo auxiliar estiver no futuro do presente ou no futuro do pretérito, ocorrerá a mesóclise, desde que não haja antes dele palavra atrativa.

Ex.: Haver-me-iam convidado para a festa.

 

2) Quando o verbo principal for constituído por um infinitivo ou um gerúndio:

 

a) Se não houver palavra atrativa, o pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar ou depois do verbo principal.

Ex.: Devo esclarecer-lhe o ocorrido/ Devo-lhe esclarecer o ocorrido.

Estavam chamando-me pelo alto-falante./ Estavam-me chamando pelo alto-falante.

 

b) Se houver palavra atrativa, o pronome poderá ser colocado antes do verbo auxiliar ou depois do verbo principal.

Ex.: Não posso esclarecer-lhe o ocorrido./ Não lhe posso esclarecer o ocorrido.

Não estavam chamando-me./ Não me estavam chamando.

 

Observações importantes

Emprego de o, a, os, as

1) Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral os pronomes o,a,os,as não se alteram. Ex.: Chame-o agora. Deixei-a mais tranquila .

2) Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoantes finais alteram-se para lo, la, los, las. Ex.: (Encontrar)Encontrá-lo é o meu maior sonho. (Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa.

3) Em verbos terminados em ditongos nasais (am, em, ão, õe, õe,), os pronomes o, a, os, as alteram-se para no, na, nos, nas.

Ex.: Chamem-no agora. Põe-na sobre a mesa.

4) As formas combinadas dos pronomes oblíquos mo, to, lho, no-lo, vo-lo, formas em desuso, podem ocorrer em próclise, ênclise ou mesóclise. Ex.: Ele mo deu. (Ele me deu o livro)

 

Fonte: http://www.portugues.com.br  .  Acessado em 23 de julho de 2008

 

Dúvidas comuns na colocação de pronomes.

  1. Nos reunimos ou reunimo-nos com o professor?

Obs: não devemos começar frase por pronomes átonos;

 

 

  1. Eu o encontrei na praia ou encontrei-o na praia?

Obs: tanto faz, a próclise é aceitável sempre que o sujeito aparece antes do verbo.  Ex.O diretor retirou-se ou se retirou…

 

  1. Eu não lhe disse ou eu não disse-lhe a verdade?

Obs: A palavra negativa torna a próclise obrigatória.  Ex: Nada me preocupa mais do que…Ninguém nos perturba…

 

  1. Ele lhe disse que os dispensaria ou Ele dispensaria-os cedo.

Obs: os conectivos que, quando, se, embora, porque tambén atraem o pronome.

 

  1. Ele já lhe disse ou ele Já o disse?
  2. Alguns advérbios atraem o pronome:  já , ainda, agora, talvez.

 

Bibliografia:

COSTA VAL. M. G. Redação e textualidade. São Paulo: Ática. 1991

                 FIORIN, J. L.; SAVIOLI, F. P. Lições de Texto: Leitura e redação. São Paulo: Ática. 1996.

                KOCH, I. G. V. A coesão textual. São Paulo: Contexto. 1992.

KOCH, I. V. &  TRAVAGLIA, L. C. A coerência textual. São Paulo: Contexto. 1995.

 

 


[1] Garcia ( 1976, p. 264)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s